| Ernesto Rodrigues coments
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Os registos discográficos de Ernesto Rodrigues têm uma importância superlativa pelo facto de juntar músicos da segunda de quatro gerações de improvisadores portugueses, como são o próprio Ernesto Rodrigues e José Oliveira. “Formados” pelo free-jazz, estas duas figuras consagradas da nossa improvisação souberam evoluir com os tempos e adaptar-se à realidade circundante. Deflagração do fraseado convencional até este desaparecer, acomodamento do ruído, estruturas “em suspensão” indirectamente bebidas no minimalismo e directamente no jazz modal, apurado sentido colectivista, integração engenhosa de silêncios, execuções pausadas e baseadas na escuta, jogos entre serenidade e inquietação, atonalismo, politonalismo: estão lá todos os ingredientes. Rui
Eduardo Paes Ernesto
Rodrigues’ music results of two of his personal passions: free jazz and
contemporary "classical" music with a specific focusing on post-serialism.
And it bursts out of a cause embraced in an almost militant way: improvisation.
This may assume various shapes and, as such theorist of this family of
the Art of Sounds as Derek Bailey once stated, doesn't necessarily have
to be experimental. In fact it actually isn't in most occasions.
Rui
Eduardo Paes L’histoire de l’improvisation au Portugal rencontre chez Ernesto Rodrigues et José Oliveira, deux de ses figures les plus consacrées, apartenant tous les deux à la deuxième de quatre générations de musiciens. Cela ne les a pas empéchés, ensemble avec António Chaparreiro, guitarriste venu récemment du Rock, d’adhérer aux nouvelles pratiques qui transforment actuellement le scénario de ce que l’on appelle “free music”. Longues durées, minimalisme dans la géstion du matériau sonore, fréquente utilisation de l’espace et de la respiration, focus en l’elaboration de textures, déconstructionisme, eclatement du phrasé conventionnel, application de concepts venus du “noise” à l’esthétique du “near silence”, adhésion aux paramètres audio de l’eléctronique, bien que dans une musique foncièrement acoustique: ce sont bien là les caractéristiques de leur CD «Sudden Music», tout comme de leur travail sur scène. Cette capacité d’adaptation n’a rien d’étonnant quand on connait le travail de ces deux défricheurs de contrées: Ernesto Rodrigues est un violoniste/altoiste d’intérêts divers qui englobent sa passion pour les compositeurs “classiques” contemporains et le passage par plusieures formations de musique populaire, en particulier sa colaboration avec les chanteurs-compositeurs Fausto et Jorge Palma; José Oliveira, en plus de percussioniste avec une abordage des instruments qui le place dans la lignée de Paul Lytton, Paul Lovens ou Roger Turner, est aussi artiste plastique et poète, aux liaisons étroites avec le mouvement Fluxus. Depuis toujours, furent leurs objectifs, la permanente inovation et la diversification, et celles-ci, precisemment, ont attiré António Chaparreiro, las des lieux-communs du Rock, à ces domaines de la musique créative de nos jours. Dans ses mains, l’énergie de ce genre d’expréssion cesse de se presenter sous sa forme la plus évidente pour gagner en subtilité et en opportunité. Ensemble, ils peuvent faire en sorte qu’une tempête paraisse paisible. Rui
Eduardo Paes A música livre de Ernesto Rodrigues é uma estrela no galático movimento da nova música improvisada a qual surgiu em meados dos anos 60; sucedâneo do free jazz, do experimentalismo e da obra aberta; intuição do instante, constelação de compositores-intérpretes; passarela de instrumentistas excepcionais, construtores do bizarro, virtuosos do epigrama; emancipou-se como música/performarte, concebeu um espaço autónomo e atípico da vertente solística e/ou colectiva, com técnicas audaciosas e conceptualizações esquisitas; no âmbito da criação portuguesa de hoje, cadáver esquisito, a arte intimista do seu violino é um discurso singular, uma formidável formulação da pós modernidade. Jorge
Lima Barreto Um
facto histórico respeitante à música improvisada
nacional, aconteceu na acolhedora sala da Associação Cultural
Abril em Maio (Lisboa). E se é difícil sobreviver ao exaltar
uma forma de expressão pouco acarinhada, mais aventurado se torna
conseguir reunir 12 músicos e formar uma Orquestra onde improvisação
e liberdade assumem o papel principal. Tendo em conta o exímio
trabalho que Ernesto Rodrigues tem desenvolvido ao longo destes anos,
acrescentando a concepção e condução deste
magnífico projecto. É chegada a hora de reconhecer a solidez,
não só enquanto músico, como também valorizar
a sua postura, que o torna uma "figura" fulcral da livre expressividade
nacional. Carlos
Lourenço The violinist/violist Ernesto Rodrigues upsets the surface of silence once again with a new cd in which free-improvisation is once again associated to a concept: in this case, that of assemblage/assembly, the construction is made up of varied elements in which unity results precisely from diversity. A condition which does not alter his search for a discoursive and expressive state based on almost nothing, even if such an effort is constantly belied by the unrest and engagement of the performers - Guilherme Rodrigues, on cello and pocket trumpet; José Oliveira, on percussion, prepared acoustic guitar and inside piano; and Manuel Mota on flat electric guitar. The game proposed by «Assemblage» consists in this very struggle between will and praxis and in the contradictions arising from such a conflict. Few times has the practice of improvisation been so transparent. Rui
Eduardo Paes Para os mais distraídos, e para aqueles que gostam mas crêem que a música improvisada não tem qualquer tipo de expressão no nosso país, deveriam por certo estar mais atentos à agenda da Associação Cultural Abril em Maio. Utilizando o seu palco para combater a apatia, a ignorância e inércia, cada vez mais fortemente instaladas, Ernesto Rodrigues tem desenvolvido inúmeras actuações e performances dignas de louvor e reconhecimento. Desfrutando da estada de Gianni Gebbia (saxofone alto); Ernesto Rodrigues (violino, viola, electrónica), Nuno Rebelo (guitarra eléctrica) e José Oliveira (percussão, guitarra acústica preparada), beneficiaram da melhor maneira a compleição improvisativa, contagiada pelo saxofonista italiano, onde a capacidade e o conhecimento individual de cada músico, veio ao de cima de uma configuração tão natural, que fez emergir toda a sala a uma condição magnetizadora e hipnótica. Subtileza - arte - talento - Cérbero - belo - soberbo - celsitude - aplauso, são palavras que podem descrever uma actuação distinta. Na memória não ficam palavras, ficam sim imagens abstractas, onde a contemplação irá residir eternamente. Carlos
Lourenço Sexta feira, o magnífico espaço da Abril em Maio, acolheu um espectáculo da Variable Geometry Orchestra, o terceiro da sua curta vida. Vou tentar explicá-lo: Durante uma hora e picos, a VGO apresentou aos parcos presentes (cerca de 20 e tal) um programa de improvisação completa, destilado pelo colectivo de 11 elementos (eram para ser 12, mas alguém ficou pelo caminho), com porções de improviso colectivo dirigido ou não, e com peças improvisadas "au moment" por quartetos de sopros, trios de cordas, ou conjugações entre os dois, por vezes acompanhadas da guitarra eléctrica, noutros pelo contrabaixo, ou pela bateria, ou pelas percussões de mil e um objectos aparentemente inofensivos. Foi bastante interessante, com momentos muito bons e sinceramente gostei. Gostei principalmente de Marco Franco, do Ernesto Rodrigues, do Chaparreiro, do baterista e até do percussionista, mas sobretudo do colectivo. Do colectivo porque, as improvisações foram-se revelando, desenrolando, com indicações do Ernesto Rodrigues para o assumir de papéis, e depois iam-se encaixando, iam brotando, quase sempre de forma agridoce, sem nunca explodir, eram sussurros, espasmos, ventos, completados por mil e um sons de que o olhar procurava a origem. Nalguns momentos pareceram-me pouco decididos, como que procurando-se a si próprios, concerteza fruto do pouco tempo que tocaram juntos, o que por outro lado deixa antever, com uma maior rodagem, uma interligação empática mais forte na improvisação.Tudo isto durou cerca de uma hora e tal. Seguiu-se depois a projecção de parte de um video com a gravação de um anterior espactáculo de Ernesto Rodrigues & co, com uma diferente formação. O video não era o mero registo de imagem, era sobretudo a transformação videoplástica da música, da improvisação. Uma espécie de improvisação plástica em suporte video ao som que se ouvia. Zooms gigantes, blurs, saturações, pormenores, etc, etc. Por esta altura uns meros 10 resistentes ainda por lá se encontravam. A pedido de muitas famílias todo o elenco subiu ao palco para uns 20 minutos de pura desgarrada freeimprov. Delírio e caos em doses maciças, os onze elementos entregaram-se à improvisação total sem regras, numa cacofonia que teve momentos absurdos e momentos de puro deleite, tal era a desgarrada ... só visto! Há-de haver mais! A Abril em Maio prometeu. Ah! E já têm a novel Bock preta, bem boa por sinal. Hasta! Stay free, Nuno
Ulrichsberger
Kaleidophon 2003 Michael
Frank (Süddeutsche Zeitung) Ernesto
Rodrigues, com Guilherme Rodrigues, Manuel Mota, José Oliveira
e Margarida Garcia, são outras presenças portuguesas no
Co-Lab (dia 24 às 12h30). Fernando
Magalhães (Público) O
clube de Jazz lisboeta Hot Clube, acolheu nesta noite um dos projectos
mais elevados de Ernesto Rodrigues ? FICTA. Carlos Lourenço A
linguagem é fonte de mal entendidos, mesmo quando a formulação
se rege de acordo com a sintaxe, e segundo os preceitos gramaticais correctamente
as grelhas de interpretação são subjectivas e sujeitas
a variáveis de interpretação. A linguagem dos sons
ainda mais, pois rege-se por métricas e lógicas que lhe
aumentam exponencialmente as potenciais capacidades receptoras.
António Eloy Imagine a blank surface. Now think how it would look if you cut with a knife some traces and little holes on it. You have a visual texture now, something to see but at the same time something that reminds you of the nothingness of the surface. That's exactly that what Ernesto Rodrigues, Alfredo Costa Monteiro, Guilherme Rodrigues and Margarida Garcia do with silence. Their knives are sounds - the "incognito" sounds that a conventional musical instrument can produce, even if it's impossible to notate them - and what they do is textures. Maybe you don't want to call painting a texture made with a knife (or maybe you do), and this quartet is indifferent to the doubt if this is or isn't music. The question isn't really important, and you must know by now that there's an imense artistic territory to explore before music and after music - music is only one way to do... well, let's call it music. Ernesto says, amused, that «Cesura» (one of the Portuguese words to say "cut") is his less musical work. Amused, certainly, but with the subversive feeling of someone carrying a knife in the hand. Rui Eduardo Paes
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