Ernesto Rodrigues Interview

 

 

 

 

 

 

 

 

 

[...] A finalidade como já referi acima é obter uma caracterização dos festivais de música experimental em Portugal e tentar perceber o porquê da descontinuidade dos mesmos.

Pedia gentilmente que o retorno do questionário, caso pretenda participar, seja efectuado até 20 de setembro, devido á fase de analise e entrega da minha tese. Carla Soares


C.S. - Qual a sua definição pessoal de “música experimental”?

ER – A música experimental nasce no séc. XX e tem como propósito explorar novas concepções que até aí não tinham sido postas em prática.

 

C.S. - Ainda se lembra da primeira vez que teve contacto com a “música experimental”? 

ER – Como ouvinte, foi por volta de 1974/1975, em Portugal, através do grupo “Plexus” de Carlos Zíngaro; como músico (violinista), as minhas primeiras experiências remontam a 1978/1979 em trio com Carlos Bechegas (flautista) e Jorge Valente (pianista).

 

C.S. - Em que ano nasceu a Creative Sources?

ER – Em 1999

 

C.S. - Quais os objetivos da  editora, para além da difusão da música experimental?

ER -  A CS foi fundada com o intuito de editar a minha própria música, devido às dificuldades existentes à época. Desde então, tornou-se uma editora internacionalmente reconhecida devido ao interesse de músicos de todos os cantos do mundo.

 

C.S. - Qual a sua missão?

ER – Expandir e difundir todas as várias práticas existentes na música experimental dos sec. XX e XXI

 

C.S. - De onde surgiu a vontade de criar uma editora de música experimental?

ER – Já respondido anteriormente

 

C.S. - Que festivais de “música experimental” conhece em Portugal?

ER -  Assim de memória: Creative Sources Fest, Outfest, Grain of Sound, MIA,  Festival de Jazz e Música Improvisada da Parede, Sonic Scope.

 

C.S. - A  Creative Sources  está presente em algum festival português?

ER – O CreativeFest  (Festival Anual da Creative Sources Recordigns) celebra, no corrente, a sua 9ª. edição

 

C.S. - Como explica o facto da maior parte dos programadores dos festivais de música experimental serem artistas desta área?

ER –  Nestas áreas as pessoas são músicos, agentes, programadores, críticos, editores, etc, porque, não se tratando de um fenómeno de massas, não tem as repercussões comerciais inerentes ao “entretenimento” (que prolifera por todo o mundo)

 

C.S. - Na sua opinião, como explica, o facto deste género de festival terem tipicamente uma existência tão curta?

ER – Devido às dificuldades inerentes à difusão deste tipo de música ( poucos espaços para tocar, pouco público e a maior parte das vezes tocar sem retorno financeiro). Ao longo da minha vida já assisti a muitas desistências ao amor a esta causa.

 

C.S. - Como classifica o atual panorama nacional dos festivais de música experimental?

ER – Fracos, pela falta de meios e apoios que deveriam ter.

 

C.S. - Sente haver por parte dos festivais iniciativa e vontade de divulgar artistas e editoras nacionais de entre as quais a Creative Sources ?

ER – Infelizmente não tenho essa percepção (no que diz respeito à Creative Sources). Por outro lado, é frequente a participação de músicos portugueses na maioria dos festivais nacionais.

 

Entrevista a Carla Soares (Outubro 2015)