"may there be..." |cs134

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Une suite d’improvisations relativement courtes où délicatement se mèlent expériences acoustiques et l’élan lyrique... Exploratoire, grave, plutôt sobre et multiple. Jerome Noetinger (Metamkine)

O que seria de esperar do encontro de um casal de músicos e investigadores com actividade na electroacústica erudita, mas que em paralelo tem cultivado a improvisação, com uma parceria de pai e filho que se dedica a explorar novas perspectivas neste último tipo de abordagem musical, tendo o free jazz e o que se lhe seguiu na Europa como referência? Uma complementaridade de conceitos e práticas? Certamente que sim, mas o que “May There Be...” tem de mais interessante é o facto de nunca se procurar um mínimo denominador comum de entendimento. Cada uma das partes desta equação desempenha ao longo das nove peças incluídas aquilo que já lhes conhecíamos, adoptando uma postura dialogante, e é isso mesmo que explica os especiais resultados conseguidos. Só assim, de resto, perceberíamos como podem o mesmo quarteto e a mesma edição associar um enfoque mais geométrico e angular nas construções a um lirismo que não teme utilizações convencionais da melodia. Os parâmetros são acústicos, com Pedro Rebelo cingindo-se ao piano. Ernesto Rodrigues troca a sua habitual viola pelo violino e tira mesmo partido dos agudos proporcionados. Franziska Schroeder concentra-se no saxofone soprano (o alto é o seu principal instrumento). Guilherme Rodrigues aventura-se mais para o primeiro plano com o seu violoncelo do que lhe é habitual. Começamos a ouvi-los em “...Poise” e depois em “...Movement” e logo percebemos que é o timbre, e não a textura, que define os rumos tomados. Está aí toda a diferença relativamente a títulos anteriores destes dois núcleos de trabalho. Os resultados funcionam como uma música contemporânea improvisada, remetendo-nos mais para Xenakis, Berio ou Ligeti do que para o chamado “não-idiomatismo”, designação que Derek Bailey dava ao livre-improviso. Ou seja, trata-se de música indubitável e assumidamente idiomática. Reside aí parte dos motivos que levam este disco a soar tão fresco, e momentos há mesmo de uma grande beleza, no sentido clássico do termo. Rui Eduardo Paes

Piano, soprano sax, cello and violin. Great album: an assortment of moods and dynamics changing from track to track, a tendency to utilize the extremities of the instruments while maintaining a distinct chamber flavor. The Rodrigueses are concerned with making the strings sound as a marble-cutting machine one moment, a chain of delicate whispers the next. Rebelo can handle different kinds of timbral duty – inside and outside the piano frame - with ease, in certain circumstances (“…Stillness”) approaching a pseudo-romanticism of sorts. Schroeder is the most unobtrusive voice, an almost spiritual rather than instrumental participation, but her absence is noticed as soon as we realize. Impressive ensemble work in the static dissonance of “…Tension”, and an overall sense of control on the directions that the music, even if instantaneously generated, should take. Harmonically fragile yet percussively emphatic in several episodes, this material sounds like having been somewhat planned in advance, possessing a kind of implicit contrapuntal substratum that renders the listening experience even more gratifying. Massimo Ricci (Temporary Fault)

Pedro Rebelo e Franziska Schroeder, músicos mais próximos da expressão erudita contemporânea, teoria e prática acústica e electroacústica, com um pé na improvisação; Ernesto Rodrigues e Guilherme Rodrigues, percorrem a via larga das actuais correntes da composição instantânea, juntaram-se para tocar e registar o resultado. Aqui está como dois afluentes com características de fundo e forma diferentes na sua multipolaridade, se juntam num mesmo e vasto curso que é a música improvisada. Em "May There Be..." há linguagens que se interseccionam, práticas concertadas que concorrem para formar um tertium genus, ambientes organizados numa mundivisão vivida e partilhada no risco permanente da falta de rede. É assim que, sem buscar deliberadamente encontrar o caminho da chegada, a música prefere especular para lá de todas as evidências sonoras, insinuar-se por entre as mutações orgânicas, deixando mais por dizer nos espaços em aberto, que no assinalar de pontos de referência. Piano preparado, violino, saxofone soprano e violoncelo trocam sinais tímbricos do centro para a periferia e no sentido inverso, entabulam jogos de dinâmicas variáveis e estabelecem, de tema para tema (e são nove) diferentes relações não hieraquizadas por meio dessa prática comum que é improvisação. "May There Be..." é um disco de câmara de criação espontânea, lírico, de bela cor outonal, frágil e luminoso. Edição Creative Sources Recordings. Eduardo Chagas (Jazz e Arredores)

De manière formelle, on pourrait croire qu'il s'agit de deux duos sur ce disque, Pedro Rebelo (piano) & Franziska Schroeder (saxophone soprano) d'un côté, Ernesto Rodrigues (violon alto) et son fils Guilherme Rodrigues (violoncelle) de l'autre. Par deux ils ont l'habitude de jouer ensemble, tous les quatre c'était la première fois sur May there be... publié en 2008, mais ça ne s'entend vraiment pas, tant le quartet est cohérent et unifié.

"Il peut y avoir..." de la tension, du calme, du mouvement, de la mélodie ; tout le programme de ces huit improvisations est indiqué dans les titres. Et les quatre instrumentistes s'y tiennent avec brio. Chaque pièce se concentre sur une ambiance ou un paramètre. Du timbre au rythme, du son aux notes, des nappes lisses aux phrases réactives et rythmiques, tout un panel de techniques et de modes de jeux est développé durant ces quarante-cinq minutes. Un panel large, où chacun semble toujours à l'aise, de l'abstraction exploratrice aux questions-réponses rythmées et réactives. May there be... démontre les nombreuses possibilités de quatre instruments, oui, mais aussi et surtout de l'improvisation non-idiomatique au sens large.

Un excellent disque pour découvrir l'état de l'improvisation libre au début du XXIe siècle à mon avis. Les esthétiques et les directions sont variées, chaque idée est abordée avec sérieux et talent, les musiciens sont très bons et s'adaptent bien à chaque situation. Très bon travail. Julien Heraud (ImprovSphere)