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A duo of cellists is a rare thing, as Rui Eduardo Paes points out in his liner notes. And that’s just as true in free improvisation than in classical music. Ulrich Mitzlaff and Miguel Mira offer eight improvisations, nothing over the ten-minute mark. Each track focuses on surprising textural plays and unusual musical connections. And the musicians clearly have a fine chemistry between them. François Couture (Monsieur Délire)

Two of them. Again, I have some of the same problems I had with the solo bass recording above. All very well played but much too much in very well-trodden territory, largely close to what one would imagine any give double-cello recording (not that there were scads of them!) that, say, Emanem might issue would sound like. Very active, very gestural in a 60s/Pendereckian kind of way. But, as before, when they settle in, calm down and listen more, (this is the sense I get) it's fairly rewarding. As with a disturbing number of free improvisers, they sound to me better the "straighter" they play; I often wish people didn't feel obliged to play free.... Brian Olewnick (Just Ouside)

Resulta interessante observar a produção musical de Ulrich Mitzlaff, violoncelista alemão radicado em Portugal, especificamente do ponto de vista dos duos de cordas em que participou ou que dinamizou. A audição deste duo com Miguel Mira é indissociável dos que apresentou em concerto com o contrabaixista Miguel Leiria Pereira ou com o violinista Carlos "Zíngaro". E, no entanto, não existe uma lógica de integração ou continuidade deste projecto com os referidos, mesmo que algumas estratégias sejam semelhantes. O dueto com Mira está marcado pela duplicação do instrumento e pelo facto de estes músicos terem personalidades bastante distintas, o que anula o efeito, ouvido nos anteriores projectos, da aproximação e do distanciamento tímbrico.
Em "Cellos", assume-se por inteiro o facto de haver dois violoncelos, com ambos os intérpretes a explorarem, em cada uma das sete partes que constituem o disco, universos e vocabulários comuns, muito centrados em técnicas expandidas, como tocar com o arco abaixo da ponte, na ponte e no corpo do instrumento, ou fazer amplo uso de percussões na madeira ou de pizzicatos próximos da técnica de contrabaixo (aliás, o violoncelo de Mira está afinado em quartas), mas sem por isso abandonarem as abordagens mais convencionais (por exemplo, na segunda parte da peça central do álbum, "Tripartição").
Os recursos extensivos e a ausência de referenciais rítmicos, bem como a abstracção e a descontinuidade dos vocabulários usados, aproximariam este disco da música erudita contemporânea, não fosse o seu carácter iminentemente improvisado e, por isso, reactivo.
O nível técnico é tal que Miguel Mira e Ulrich Mitzlaff constroem texturas e efeitos que nos habituámos a ouvir nas músicas electrónicas (terceira parte de "Tripartição"), mas também movimentos e figuras que poderiam constar de uma partitura para virtuosos da música de tradição clássica de finais do século XX. As referências conceptuais nos títulos das peças, "Figura", "Inversão", "Tripartição", "Descontinuidade", "Assimetria" e "Abstracto", são uma eventual chave de leitura para o processo que está por detrás
desta colaboração.
Ora, se a descontinuidade e a abstracção são conceitos claramente presentes na totalidade do disco, parece-nos que lhe falta alguma assimetria, numa identificação mais clara de eventuais discursos alternativos e simultâneos, com inclusão de figuras musicais identificáveis que actuassem como referências nesta rica paisagem.
Precisamente, a penúltima faixa, "Assimetria", é um óptimo exemplo do que isso significa: quando estamos a ouvir texturas arqueadas em cordas dobradas, afirma-se sobre elas um intenso solo em pizzicato, com posterior inversão dos papéis. Este é um dos momentos mais cativantes do CD, que poderia ter resultado ainda melhor se tal procedimento "assimétrico" surgisse mais vezes. João Martins (Jazz.pt)

Two different personalities on the same instrument, of diverse backgrounds – Mitzlaff is an "authentic" musician, Mira is described as a "Renaissance man" also skilled in architecture and painting – but regrettably, the result of their alliance is rather disappointing. The good quality domestic recording lets us appreciate the occasional distant echo of birdsong in the background as well as the magnificent timbre of the cellos (one of my favourite instruments) – you can almost smell the wood when enjoying those taps, crackles and screeching harmonics. But the interplay doesn’t sound coherent enough to be published, often lacking structure (which, contrarily to what many people think, is needed in "free" music) and more an accumulation of spurts and instantaneous sketches than the fruit of genuine inspiration. There are intriguing segments, especially when a quietly contemplative vein is highlighted, but they’re related to the loveliness of the tone, not to the actual interest elicited by the improvisations. Halfway through we lose focus and perceive the sounds as repetitive, untailored and unable to trace consistency. Massimo Ricci (Paris Transatlantic)