Porto Covo cs418

 

 

 

 

 

 

 

 

“Théatron” e “Porto Covo” adaptam a fórmula para os elencos de 11 e oito elementos, respectivamente, que se apresentam como Suspensão. O mote está no nome, pois o foco vai para os tratamentos sustenidos ou suspensivos das notas. Ou melhor, para a produção de bordões (“drones”), ainda que sempre contrariados pela introdução no decorrer dos mesmos, regra geral de modo discreto, de pontilhismos – implicando que o grupo se constitua como a soma de dois. Um tem como função transportar-nos quase inconscientemente numa viagem, criando uma horizontalidade dirigida ao infinito, enquanto o outro nos desvia a audição activa para os detalhes, embora nunca determinando posições fixas para os músicos. Assim como a música muda sem que, à superfície, nada pareça acontecer, mudam também os papéis de quem a executa. Tensão e quietude conjugam-se de formas inusitadas, uma minando a outra. Deixamo-nos ir, mas nunca com uma sensação de conforto. Rui Eduardo Paes (Jazz.pt)